Ojuani Shobe (Ojuani Ogbe) é a combinação dos Odu maiores Òwónrín e Ogbè, e ocupa o signo número 92 na Ordem Genealógica de Ifá. Este Odu ressalta a importância de realizar um sacrifício com um bode a Eshu para evitar situações adversas. Adverte sobre roubos, acidentes na cabeça e conflitos sentimentais que testam a lealdade e a prudência. Este signo lembra que tudo o que foi criado pertence a Olofin, pois neste Ifá se ensina que “as pombas e tudo são para Ele”.
Análise e Interpretação do Odu de Ifá Ojuani Shobe
Este Odu revela a constante luta entre o bem e o mal na vida do consulente, lembrando-nos que ambas as forças convivem e que nossa missão é aprender a discernir e equilibrar. Ojuani Shobe ensina que a soberba e a avareza são armadilhas que conduzem à ruína, do mesmo modo que Eshu-Elegua quis impor sua vontade sobre todos.
«Quem tenta controlar os outros com egoísmo acaba perdendo o controle de si mesmo». Òwónrín Ogbè.
Este signo também fala de vibrações negativas, bruxarias ou energias escuras que perturbam a paz mental. É um Ifá que adverte sobre a violência, os emaranhados sentimentais e as más decisões nascidas da ofuscação. Ifá diz aqui que a paciência e a persuasão são armas mais poderosas que a soberba. Uma mente em calma evita tragédias e abre caminho para o Ire.
Aspectos Econômicos
No aspecto econômico, Ojuani Shobe assinala a tentação de acumular sem medida. É um Ifá de avareza, onde “quanto mais se tem, mais se deseja”. O dinheiro sob este signo se torna uma espada de dois gumes: pode trazer estabilidade ou tragédia dependendo de como é manejado.
«O dinheiro não é tudo na vida» ensina que a riqueza material, embora útil, não garante paz nem plenitude. A verdadeira prosperidade está na saúde, nas relações e na espiritualidade. Quem coloca o dinheiro acima de tudo corre o risco de perder o mais valioso.
Aconselha-se ser justo nos negócios, cumprir com os pagamentos e evitar reclamar de forma agressiva, pois uma única palavra mal dita pode fechar portas para sempre. O consulente deve lembrar que a verdadeira riqueza é medida pelo que compartilha e não pelo que acumula.
Aspectos de Saúde
Este Odu é muito delicado em questões de saúde. Marca problemas na visão (miopia, risco de cegueira), no sangue e no sistema reprodutor. Também fala de artrite, coluna vertebral fraca e dores nos ossos. A garganta é um ponto vulnerável, por isso deve-se cuidar de infecções e doenças respiratórias.
O uso de óculos (cristais) não é aqui apenas um remédio físico, mas uma metáfora: aprender a ver a vida com clareza, evitando que a confusão ofusque o julgamento. Oyá, dona dos ventos e da visão, castiga com cegueira aqueles que não respeitam seus desígnios.
Aspectos Religiosos
Em Ojuani Shobe falam com força Eshu Elegua, Orunmila, Oyá, Obatalá, Oshún, Azojuano e Osanyin. Este signo requer atenção especial a Elegua, que deve ser alimentado constantemente para evitar destruições repentinas na casa. Por Iré, veste-se seu gorro em branco e vermelho; por Osobo, em preto e vermelho, mostrando o poder de sua dualidade.
Aqui nasceu o Pinado de Iworo, fundamento na vida dos santeros. Também nasce o ensinamento de não guardar coisas alheias nem emprestar pertences, pois fazê-lo abre portas para o Osobo. Este Odu obriga a receber Osanyin, Olokun e Oduduwa, pois cada um concede equilíbrio diante das provas de saúde, dinheiro e estabilidade espiritual.
No amor, Ojuani Shobe adverte sobre paixões intensas que podem terminar em tragédias. Fala de homens que podem perder a cabeça por ciúmes, a ponto de chegar à violência contra sua parceira. Ifá manda paciência e diálogo, porque uma mulher que se vai sob este signo costuma encontrar outro homem mais forte, e será impossível recuperá-la.
Também marca relações ocultas, traições entre amigos e conflitos familiares por amantes secretos. Aqui nasce a separação de grandes amizades, muitas vezes por motivos de amor e deslealdade. No entanto, este Odu também mostra a possibilidade de um amor profundo e próximo, que traz sorte e filhos de bênção, sempre e quando os eboses necessários forem realizados para manter a união.
Descrição Geral do Signo Ojuani Shobe (Ojuani Ogbe)
Ojuani Shobe é um Odu de advertência: a soberba e a avareza cegam, a violência destrói, e o dinheiro sem equilíbrio se converte em desgraça. Ifá ensina aqui que devemos aprender a viver com o bem e o mal, sem deixar que as forças negativas dominem nosso destino. A humildade, a paciência e o respeito aos Orishas abrem o caminho para a estabilidade.
Nomes ou Alias:
- Ojuani Ogbe.
- Ojuani Shogbe.
- Òwónrín Ogbè.
- 11-8.
O que nasce no Odu Ojuani Shobe?
- O Pinado de Iworo de Santero.
- Os cristais dos óculos.
- O bom vive com o mal.
- O dinheiro não é tudo na vida.
Do que fala o signo Ojuani Ogbe?
- Não se come feijão preto.
- É preciso cuidar da garganta, do sangue, da visão e dos ossos.
- A Eshu-Elegba um gorro preto e vermelho quando é Osobo, e branco e vermelho quando é Iré.
- O Odu Ojuani Shobe fala de bruxaria ou vibrações negativas que interferem na paz da mente. Aqui se está envolvido, frequentemente, em uma relação emocional que obscurece o julgamento. Aqui não se tem paz na mente e se sofre oposição das pessoas.
- Eshu-Elegua queria que todos fizessem sua vontade.
- É um Ifá de avarentos.
Refranes do Odu Ojuani Shobe (Ogbè)
- Tirar água com cesta.
- Quem come o ovo, não pensa na dor que custou à galinha.
- O mal sem mestre se aprende.
- O mal e o bem sempre andaram juntos.
- As más vibrações interferem na paz da mente.
- O dinheiro não é tudo na vida.
Quem come o ovo, não pensa na dor que custou à galinha» nos lembra a ingratidão humana. Muitas vezes desfrutamos de benefícios sem considerar o sacrifício alheio. Este refrão convida a valorizar o esforço daqueles que tornam possível nosso bem-estar e a viver com gratidão.
Código ético de Ifá:
- O dinheiro não é tudo na vida.
Significado do Odu Ojuani Shobe
Ojuani Shobe é um Odu que reflete a linha tênue entre a razão e a ofuscação, advertindo que um arroubo pode levar a consequências irreparáveis. É associado a tragédias ligadas a paixões descontroladas e enganos familiares, e é reconhecido como um signo onde o bem e o mal convivem de maneira constante.
Neste Ifá se manifestam os Orishas Eshu-Elegua, Orunmila, Oyá, Obatalá, Oshún, Azojuano e Osanyin, mostrando a força espiritual e a responsabilidade daqueles que o portam. Também é um Odu que revela a separação de amizades, a avareza, a traição e o perigo do orgulho, sendo a soberba seu maior inimigo.
Recomendações:
- Colocar em Eshu Elegua uma navalha amarrada com os nomes dos inimigos, com linha branca e preta.
- Ao finalizar o Ebó, o Awó deve banhar-se com um pouco de Iyefá e soprar o que sobrar no tabuleiro na porta da rua.
- Banhar-se com Imo de Oshún.
- Alimentar Eshu-Elegba e cuidar do canto da casa.
- Evitar a violência e a soberba; cultivar paciência, persuasão e legalidade nos tratos.
- Cuidar da garganta, do sangue, da visão e dos filhos, para que não sofram por causa da violência.
- Checar a visão constantemente e usar óculos escuros.
- Respeitar muito Oyá, já que ela castiga com cegueira e perturbação mental.
- Receber com urgência Osanyin, Olokun e Oduduwa.
- Oferecer Aladimú a Olokun e levá-lo ao mar.
- Se for homem, aceitar que uma mulher próxima e um filho com ela trarão sorte.
- Realizar Ebó junto ao casal para alcançar a felicidade.
- Oferecer aguardente ao Egun do pai.
- Dar de comer ao dinheiro.
- Fazer o bem, mesmo que não seja agradecido.
- Ter em conta Eshu-Elegba em tudo o que se pensa, diz ou faz.
- Cuidar-se de artrite, problemas na coluna, miopia, doenças do sangue e do sistema reprodutor.
- Lembrar que o dinheiro não é tudo na vida.
- Receber outro Obatalá.
- Dar um galo a Eshu quando o Odu sair em adivinhação para evitar desgraças.
- Oferecer a Eshu-Elegba um gorro branco e vermelho por Iré, e um vermelho e preto por Osobo.
- A Azojuano (São Lázaro) oferece-se peixe assado com azeite de dendê e milho torrado.
- Tomar cozimentos medicinais:
- Manjerona, cominho, pele da moela de galinha de Orúnmila, azeite, vinho seco e sal (em jejum).
- Arruda e raiz de cebola durante 7 dias.
- Omiero de fosforito com um pouco de azeite durante 7 dias.
- Cozimento de alecrim por um tempo.
- Dar duas galinhas avermelhadas a Oyá, borrifá-las com areia do mar e azeite de dendê, e levá-las ao mar.
- A Obatalá e a Eshu-Elegua colocar inhame cozido.
Proibições:
- Não comer feijão preto.
- Não guardar coisas alheias.
- Não emprestar pertences.
- Não fazer reclamações de má forma.
- Não brigar com a mulher, porque se ela for embora, não voltará.
- Não ajudar a levantar nada a ninguém, porque isso atrasa o consulente.
- Não batizar ninguém (nem Awó, nem Apetebí, nem Ikofafun).
Ifá diz no odu Ojuani Shobe:
Se este Odu aparece na adivinhação para alguém que vai adquirir um terreno para construir uma casa, aconselha-se a realizar o sacrifício correspondente.
Quando Ojuani Shobe surge em Igbodun, adverte que a pessoa pode se mostrar ingrata com seu padrinho de Ifá. Neste caso, deverá completar sua cerimônia realizando sacrifícios com duas galinhas, duas aves de guiné, nozes de kolá e búzios ao novo Ifá, além de oferecer um bode a Eshu.
Na adivinhação também será indicado agraciar Eshu com um bode e Ogún com um galo, para evitar ser surpreendido roubando ou proteger-se da falsa acusação de um roubo.
Quando este Ifá aparece, a pessoa será aconselhada a cuidar de suas amizades e a realizar sacrifícios para não se tornar vítima de sua própria generosidade. Será prevenida sobre possíveis disputas relacionadas com terrenos ou assuntos de trabalho. Se cumprir com o sacrifício, alguém acudirá no momento crítico para livrá-lo de um problema inevitável.
No caso de a consulta se referir a uma viagem, será dito que suporte com paciência qualquer dano que possa sofrer no local, pois no final colherá uma grande recompensa.
Reza do Odu Ojuani Ogbe:
OJUANI SHOBE TOBAYAKU BAIN BAIN IKI BAIN BAIN LOBATI ADIFAFUN OUN BABA LAWO
MERINDILOGUN TINLODIFA ILE OLOFIN.
Suyere:
OJUANI SHOBE ESHU GBA O
OJUANI SHOBE ESHU GBA O
OJUANI SHOBE ESHU GBA O
IRUN MOLE ASHETO, ASHEBO.
Ebó do Odu Ojuani Ogbe:
Obra a Azojuano.
Coloca-se um peixe assado com azeite de dendê e milho torrado.
Cozimento para tomar.
Faz-se cozimento de erva-cidreira, cominho e pele da moela das galinhas de Orúnmila, com um pouquinho de azeite, vinho seco e sal. Será tomado em jejum. Depois, cozimento de arruda e raízes de cebola durante 7 dias. Depois tomará erva-fosforito (Shewerekuekue) com um pouquinho de azeite, tomar durante 7 dias. Por um tempo, tomar cozimento de alecrim.
Patakies (Histórias) do signo Ojuani Shobe:
Eshu e os Dois Amigos
Certa vez, Eshu decidiu testar a amizade de dois companheiros inseparáveis. Para isso, vestiu-se de maneira peculiar: o lado direito de sua roupa estava limpo, passado e elegante, enquanto o esquerdo estava sujo, amassado e cheio de remendos. Também penteou com esmero o lado direito de sua cabeça, deixando o esquerdo despenteado e desorganizado.
Assim vestido, passou entre os dois amigos que conversavam em uma esquina, sem dirigir-lhes palavra. Ao vê-lo, um comentou: “Que homem tão bem vestido e arrumado!”, enquanto o outro replicou: “Não, está desleixado e mal apresentado”. A diferença de opiniões transformou-se em discussão, e a discussão em briga. Finalmente, os amigos terminaram inimigos, sem perceber que haviam caído no engano de Eshu.
Explicação: Este Patakie ensina que a verdade pode ter mais de uma face, e que muitas disputas nascem de ver apenas uma parte da realidade. Eshu nos lembra que a imprudência, a soberba e a falta de diálogo podem romper até as amizades mais firmes. Antes de brigar, procure compreender o outro, porque ambos podem ter razão de sua perspectiva.
Adivinhação feita para Ogún e Orúnmila quando desciam do Céu
Quando o Odu Ojuani Shobe aparece na adivinhação, o babalawo deve colocar uma pequena porção de azeite de dendê no chão antes de interpretá-lo.
Nos tempos antigos, este foi o Odu que se manifestou para Ogún e Orúnmila quando desciam do Céu para a Terra. Os Awoses que interpretaram foram cinco:
Esin oun serun de, Erun rin ogoro mudi.
Awó udi Orisha, udi Orisha oni ehu Kangogo.
Oda mi lebe morinu.
Odomi lebo kon le gerete.
Odami lesu itu mometsu itu.
Deus lhes havia advertido a ambos que não deveriam matar nem divindades, nem seres humanos, nem animais, pois nenhuma criatura havia sido criada para destruir sua própria espécie. Aquele que o fizesse agiria unicamente como um instrumento de Eshu.
Antes de partir do Céu, consultaram Ifá e foram aconselhados a apaziguar Eshu com uma cabaça de azeite de palma, um bode forte, uma galinha, uma lesma, um rato e um peixe. Orúnmila, fiel à sua natureza de obediência, cumpriu o sacrifício. Ogún, em contrapartida, recusou, pois costumava olhar com desprezo para Eshu. Os Awoses prepararam ainda medicinas para Orúnmila: ele deveria bebê-las e misturar parte com o sabão com o qual se banharia. Assim, Ogún e Orúnmila desceram juntos à Terra.
Eshu, não tendo sido aplacado por Ogún, decidiu dar-lhe uma lição. Incitou-o à ira e despertou nele sua natureza violenta. Ogún, encolerizado, perdeu o controle e matou duzentos homens. Quando Eshu tentou provocar também Orúnmila, este lembrou-lhe os sacrifícios realizados no Céu e reafirmou que sua missão era salvar, não destruir. Inclusive ofereceu-lhe outro bode, com o qual Eshu, satisfeito, prometeu vingar-se daqueles que o haviam desprezado.
A violência de Ogún encheu de terror as pessoas, que começaram a buscar refúgio em Orúnmila para se salvarem. Foi então que Orúnmila lembrou a Ogún a advertência divina: não deveriam matar. Ogún, desafiador, replicou que esse não era seu problema, e ameaçou atacá-lo também. Quando levantou seu martelo contra ele, Orúnmila o deteve com um encantamento cheio de símbolos:
“A lesma sobe na árvore, mas não tem dentes para mordê-la.
A fumaça sobe, mas não acende o fogo.
O azeite, ao ver a chama, derrete-se imediatamente.”
Com estas palavras, desarmou a fúria de Oggún. Então, em tom jocoso, o Deus do Ferro respondeu que uma divindade devia mostrar-se violenta de vez em quando para ser temida. A partir daquele momento, Ogún e Orúnmila reconciliaram seus caminhos e se tornaram amigos.
Explicação: Este patakí nos mostra o contraste entre Ogún e Orúnmila diante do mandato divino. Ogún, impulsivo e orgulhoso, desconsiderou o conselho de apaziguar Eshu, e sua fúria o levou à violência e à rejeição das pessoas. Orúnmila, em contrapartida, obediente e disciplinado, cumpriu com os sacrifícios e manteve a calma, o que o protegeu e o tornou um refúgio para os outros.
A obediência e o sacrifício abrem caminhos, enquanto a soberba e a ira fecham portas e geram destruição. Ojuani Shobe lembra que quem não controla seu temperamento se torna escravo de Eshu, enquanto quem honra os conselhos de Ifá alcança respeito, paz e permanência.
Verso de Òwónrín Ogbè (Ojuani Shobe) Ifá tradicional
Ele me menosprezou
Eu me vinguei
Uma galinha derramou minha medicina
Eu quebrei seus ovos
A cabaça para agredir não se quebrará
O compasso para agredir não se racha facilmente
A cabaça usada para emprestar milho
É a que deve ser usada em retribuição
Essa foi a mensagem de Ifá para Òwónrín
Quando ia amarrar as contas no pescoço da filha de Ogbè
Em dias anteriores
Òwónrín plantou uma cerejeira
E emprestou uma caçarola sem fundo a Ogbè
Ele a usou para proteger o crescimento da cerejeira do alvoroço das cabras
A cerejeira em um curto período de tempo cresceu e germinou
Ogbè, portanto, estava precisando da caçarola que emprestou a Òwónrín
Ele perguntou a Òwónrín sobre isso
Admirado, Òwónrín perguntou-se o que poderia fazer
Òwónrín disse: “Sua caçarola eu coloquei em torno da cerejeira”
E explicou: “A árvore começou a germinar”
Ogbè descaradamente lhe disse que ele queria sua caçarola original
E não queria nenhuma que não fosse essa
E assim a árvore teve que ser derrubada
Teve que ser cortada apesar de seu grau de germinação para poder tirar a caçarola
Depois de um tempo
A filha de Ogbè cresceu o suficiente para já estar pronta para casar
E era necessário que as contas estivessem atadas em seu pescoço
Antes de ela se casar
No entanto, Òwónrín é o maior custodiador das contas e de todos os tipos de contas
Ogbè rapidamente correu para pedir uma emprestada ao seu amigo
Òwónrín deu a Ogbè as contas que ele desejou
Ela as amarrou em seu pescoço e foi se casar
Aos 17 dias, a noiva tinha que retornar à casa de seus pais
Para que pudessem tirar as contas cortando-as
Òwónrín foi quando se recusou a cortar as contas do pescoço da dama
Eles perguntaram: “Por quê?”
Òwónrín se comportou como um demônio
Recusando-se a que cortassem suas contas
Eles tentaram tirar o colar do pescoço da moça
Mas não conseguiram fazê-lo
Eles tentaram puxar para baixo
Seus ombros eram tão largos que impediam a passagem
E era necessário que as contas fossem cortadas naquele dia
Eles perguntaram: “O que vamos fazer?”
Òwónrín perguntou: “Todos vocês se esqueceram?”
“Acaso a cabaça para agredir se quebra?”
“Ou o compasso para agredir se rasga com facilidade?”
“A cabaça usada para emprestar milho”
“É a mesma que deve ser usada em retribuição”
“Se uma galinha derramar sua medicina”
“Aquele que agredir alguém”
“Alguém se vingará da agressão”
“Lembrem-se que eu tive que cortar minha cerejeira da última vez”
“Então, vamos também cortar o pescoço dela para poder tirar as contas”
E assim a moça foi decapitada
E as contas foram removidas devido à decapitação feita por Òwónrín
Ogbè gritou agonizantemente
“A primeira agressão”
“Não é tão dolorosa quanto a última?”
Este é o verso de Ifá que nos ensina a exercer moderação e autocontrole
E o fato de usar o bom senso no julgamento da vida
Ogbè começou a louvar seus Babaláwos tardiamente
Ele disse: Ele me menosprezou
Eu me vinguei
Uma galinha derramou minha medicina
Eu quebrei seus ovos
A cabaça para agredir não se quebrará
O compasso para agredir não se racha facilmente
A cabaça usada para emprestar milho
É a que deve ser usada em retribuição
Por favor, permitam-nos a todos desfrutar de uma boa conduta
Quando ia amarrar as contas no pescoço da filha de Ogbè
E isso resultou na morte dela.
Ifá aconselha esta pessoa a oferecer sacrifício e não se vingar dos desaires que receber. Se emprestou algo a alguém e essa pessoa não pode devolver o original, mas está disposta a substituí-lo por uma réplica, deve aceitá-lo. Se recusar e decidir se vingar, lamentará.

Apaixonada pela cultura Yorubá e Bantu. Minha jornada é dedicada à exploração da espiritualidade ancestral, mergulhando nas ricas tradições dos Orixás e na sabedoria que conecta nosso passado ao presente. O Templo Lukumi é meu espaço para compartilhar insights sobre mitologia, rituais e a influência contínua dessas tradições em nossa vida moderna.