Iroso Ojuani (Ìrosùn Òwónrín)

Iroso Ojuani é a combinação entre os Odu Ìrosùn e Òwónrín, sendo o número 81 na ordem senhorial de Ifá. Este signo revela o poder do fogo, da luz e do dinheiro, mas também o perigo da soberba, dos vícios e das decisões impulsivas. Nele se cruzam grandes oportunidades de crescimento com riscos extremos, onde a obediência a Ifá decide entre a queda e a elevação.

Análise e Significado do Odu de Ifá Iroso Ojuani

Iroso Ojuani é um Odu de contrastes violentos: aqui a vida pode passar da luz ao incêndio em um instante. Ifá mostra uma pessoa com brilho, talento e presença — como a lâmpada elétrica e a vela que nascem neste signo —, capaz de iluminar o caminho de outros, mas que, se deixar levar pela soberba e pelo mau caráter, transforma essa mesma luz em brasa que queima tudo. O “rei que pode perder sua coroa” não é apenas um monarca literal, mas qualquer um que, por orgulho ou impulsividade, perde sua posição, seu respeito ou sua liberdade.

Este signo revela caminhos que parecem firmes, mas são vãos: amizades, negócios ou decisões que parecem seguras, mas escondem armadilhas. Por isso Ifá diz que a pessoa pode terminar com “um pé na cadeia e outro no hospital”; é a imagem de uma vida vivida no limite: festas, vícios, discussões, riscos desnecessários. Iroso Ojuani é também o Ifá do músico e dos levantes sociais: quando quem deve cuidar do povo — ou da família — se entrega à comodidade e aos vícios, a fome e a necessidade explodem na rua ou dentro de casa.

Orúnmila, ao partir da Ásia porque ninguém abandonava o vício do ópio, deixa um aviso direto para este signo: quando a pessoa de Iroso Ojuani se entrega a drogas ou álcool, sua vontade fica sequestrada. Não é apenas um hábito, é uma escravidão. E enquanto se vive entre comilança, festas e excessos, a família se ressente, esfria e acaba se afastando. Ainda assim, Ifá promete um Iré poderoso: mesmo que se chore por não ter trabalho nem dinheiro, este Odu é de Iré Owo e de “valores enterrados” que podem vir à tona… sempre que se controlar a língua, não se levantar a mão para ninguém e se cumprir o ebó com seriedade.

Aspectos econômicos e laborais

No aspecto econômico, Iroso Ojuani é um Odu marcado pela possibilidade da ruína e da recuperação súbita. É signo de Iré Owo: a pessoa tem a capacidade de encontrar dinheiro onde outros só veem escassez, descobrir “valores enterrados”, resgatar negócios aparentemente perdidos ou receber ajudas inesperadas quando tudo parecia fechado. O inhame (Ishu) aparece como símbolo dessa riqueza: aqui não se come, respeita-se como representação da prosperidade que se deve cuidar, não devorar.

No entanto, a prosperidade deste Odu é muito sensível ao caráter e à ética. A soberba, os vícios, as más gestões e a impaciência podem levar a estar “a ponto de perder tudo” mais de uma vez. Por isso Ifá aconselha fazer ebó para sair bem dos negócios que o afligem e não abandonar o ofício nem a Ifá, nem mesmo nos momentos de miséria. O ensinamento econômico de Iroso Ojuani é claro: o dinheiro chega, mas se sustenta apenas quando há humildade, obediência espiritual e responsabilidade com a família e com os compromissos adquiridos.

Saúde e Bem-Estar

Na saúde, este Odu pede uma vigilância extrema. Quando fala de “echar sangue pela boca” e da soberba que sobe à cabeça, aponta riscos de derrames, hemorragias, problemas digestivos graves, úlceras, vômitos de sangue e danos internos provocados por raivas acumuladas, álcool ou substâncias tóxicas. As dores de barriga e as doenças do estômago aqui não são detalhes menores: Ifá insiste em cuidar da água que se bebe e da qualidade do que se ingere.

O tabu principal é a candela: fogo, cozinhas descuidadas, velas mal colocadas, eletricidade mal manejada. Iroso Ojuani marca queimaduras sérias e acidentes com fogo se esse elemento não for respeitado. A isso soma-se o desgaste físico e mental que as dependências produzem; o que começou como escape termina anulando a vontade do indivíduo. A imagem de “um pé no hospital” é um lembrete constante: viver no limite, sem freio, neste Odu quase sempre acaba na cama, em urgências ou com uma doença que poderia ter sido evitada se a tempo se tivesse obedecido.

Aspectos religiosos e espirituais

Religiosamente, Iroso Ojuani se move sob o fogo de Shangó e a brancura de Obatalá. Aqui Shangó dá um chute na terra e esta se incendeia: o raio representa tanto o castigo quanto a iluminação repentina. Por isso, deve-se dar a Shangó o que ele pedir no meio da porta do quarto, para aplacar conflitos e canalizar sua força para a proteção e não para a destruição. É um Odu onde receber Ifá não é luxo, mas necessidade para estabilizar o destino e pôr ordem em uma vida muito exposta a excessos.

O ritual de vestir roupas chamativas, ir a lugares movimentados e depois retornar ao lar para se vestir de branco diante de Obatalá tem uma carga profunda: primeiro se mostra o brilho, a vaidade, o ruído do mundo; depois se desnuda a alma diante da pureza, buscando humildade e perdão. Recomenda-se usar pulseiras de metal de Obatalá e agradecer sempre ao Inhame, a Osun e a Shangó, mantendo o equilíbrio entre fogo e calma. Além disso, este Odu sublinha o papel do padrinho: deve ensinar com paciência e retidão; a inveja e os choques entre religiosos aqui são perigosos, porque uma guerra espiritual pode incendiar toda a casa.

Relações pessoais e amor

No amor, Iroso Ojuani é um campo minado de paixões intensas e possíveis tragédias. Ifá adverte o homem sobre mulheres e relacionamentos que podem se tornar fonte de grandes conflitos: ciúmes, triângulos amorosos, rivais, brigas que terminam em vergonha ou violência. Não é que a mulher seja o problema em si, mas a forma irresponsável de amar, de prometer e de brincar com os sentimentos de outros. Aqui um único golpe, uma reação impulsiva, pode desencadear uma tragédia irreparável.

Para a mulher, o Odu revela muitas vezes a presença de um Egun que faz vida com ela, dificultando sua estabilidade matrimonial. Mesmo que haja dinheiro, beleza ou posição, ela não se sente segura no amor. Se esse espírito foi Alakuata em vida, pode incliná-la para essa mesma orientação, gerando conflitos internos ou externos se não for assumido com verdade e ordem espiritual. Daí a urgência de fazer Oparaldo e harmonizar a vida sentimental. Iroso Ojuani também mostra que quando se prefere a festa, a droga e a rua em vez do lar, o casal e a família se afastam; não por castigo caprichoso, mas porque se cansam de viver em um incêndio permanente. Ifá ensina aqui que o verdadeiro Iré no amor nasce da sinceridade, da responsabilidade afetiva e do repúdio total à falsidade.

Descrição Geral do Signo de Ifá Iroso Ojuani

Iroso Ojuani é um Odu de grande potencial econômico, talento artístico e liderança, mas caminha sobre terreno que pode ser vão. Quem nasce ou se rege por este signo deve aprender a usar o fogo de Shangó para iluminar, não para incendiar; deve deixar os vícios, cumprir os eboses completos, honrar sua família e ordenar sua vida espiritual.

Nomes ou Alias:

  • Iroso Ojuani.
  • Iroso Juani.
  • Iroso Wani.
  • Ìrosùn Òwónrín.
  • 4-11.

O que nasce no Odu Iroso Ojuani?

  • A lâmpada elétrica.
  • Se marcar morte (Ikú), é preciso ter cuidado com um pássaro que o inimigo pode enviar.
  • Existem valores enterrados que você encontrará.
  • A luz elétrica e a vela: aqui Shangó deu um chute na terra e esta se incendiou.
  • O raio.
  • Assinala que a pessoa está a ponto de perder tudo.

Do que fala o signo de Ifá Iroso Ojuani?

  • Iroso Ojuani fala de um rei que pode perder sua coroa.
  • De soberba e de expelir sangue pela boca.
  • De ter cuidado em lugares onde há fogo, porque pode se queimar.
  • Que o homem deve ter cuidado com as mulheres, pois elas podem causar tragédias por ele.
  • Que o padrinho tem necessidade de ensinar seus afilhados, para que eles estejam contentes com ele.
  • Aqui Orúnmila teve que sair da Ásia porque ninguém deixava o vício do ópio.
  • Que se a pessoa se viciar em drogas, ela se perde, pois enquanto viver não terá vontade para se livrar desse vício.
  • Que a pessoa chora porque não tem trabalho nem dinheiro, e sem fazer nada encontrará de tudo, pois este é um Ifá de dinheiro (iré owo).
  • Que neste Ifá a mulher tem um Egun que faz vida com ela e, mesmo tendo dinheiro e posição, não tem segurança matrimonial. Se esse Egun em vida foi mulher alakuata (invertida), a inclinará a essa situação. É preciso fazer Oparaldo rapidamente.
  • Que a pessoa tem um pé na cadeia e outro no hospital.
  • De dar a Shangó, no meio da porta do quarto, o que ele pedir.
  • De levantes sociais pela fome e necessidade que os povos sofrem, pelo abandono em que seus governantes os mantêm.
  • De que seus familiares próximos o deixarão sozinho, pois enquanto você está em festas e comilança e até em assuntos de drogas, sua família se sente abandonada e carece de seu amor, de seus bons exemplos e até do mais necessário para subsistir.
  • De doente em casa a quem é preciso fazer ebó às pressas.
  • De pessoa que passa por muitos tropeços.

Ìrosùn Òwónrín aponta:

  • Vencimento dos inimigos.
  • Embrulhos, e que se você der ouvidos a eles, se perderá.
  • Oposição familiar à mulher com quem você vive.
  • Pessoa que não tem paradeiro fixo.
  • Ter cuidado com uma traição.
  • Que você escapa de seus inimigos; assim como com as mãos não se alcançam os peixes no rio e no mar, assim seus inimigos não o alcançarão. Devem-se dar dois ejá tuto à sua lerí.
  • Que aqui Orúnmila tinha as mãos curtas e não alcançava.

Provérbios do Odu Iroso Ojuani:

  • Crie corvos e eles arrancarão seus olhos.
  • O rei que se embriaga com seu brilho, amanhece sem coroa.
  • A mesma brasa que ilumina a casa, a reduz a cinzas se não a vigiarem.
  • Amigos de hoje e inimigos de amanhã.
  • Quem troca sua família pela festa, termina brindando sozinho com sua desgraça.
  • Aquele que pisa em terreno vão por soberbo, acaba com um pé na cadeia e outro no hospital.

“Amigos de hoje e inimigos de amanhã” Iroso Ojuani nos lembra o quão volúveis podem ser as relações humanas. Quem hoje aplaude, amanhã pode se voltar contra você por inveja, interesse ou ressentimento. Convida a não idealizar ninguém, cuidar da confiança e valorizar mais a lealdade provada do que a companhia passageira.

Código ético:

  • O Awó nunca discute por mulheres.

“O Awó nunca discute por mulheres” Ìrosùn Òwónrín o amor não se possui nem se disputa como um objeto. O sacerdote de Ifá evita ciúmes, cenas e rivais, porque respeita a dignidade própria e alheia. Se há conflito, escolhe o retiro tranquilo antes da humilhação ou da violência.

Diz Ifá no odu Iroso Ojuani:

Quando Iroso Ojuani aparece em Igbodun, Ifá estabelece limites muito claros. A pessoa é aconselhada a não praticar medicina nem Ifismo se deseja viver muito tempo, e é-lhe ordenado agraciar Ifá com um carneiro pai e a Ogún com um cachorro. A partir desse momento, a carne de carneiro fica proibida para ele. Em registros ordinários, servirá Ifá com uma galinha e Ogún com um galo, para evitar comer o que não deve e manter-se protegido de seus inimigos.

Este Odu é muito severo com o tema do amor. Quando sai para um homem, Ifá o adverte para não se envolver com a mulher ou amante de outro; o amor construído sobre engano e rivalidade termina em sangue, vergonha ou separação forçada. Se aparece para uma mulher solteira, aconselha-se a seus pais fazerem sacrifício com um bode e seu toucado, para evitar tragédias conjugais por infidelidade. A mensagem é ética e contundente: não se brinca com o parceiro alheio, nem se provocam ciúmes e triângulos que depois ninguém pode controlar.

Iroso Ojuani insiste na obediência e na coerência espiritual. Cumpra sempre o que Ifá manda, não deixe sacrifícios pela metade nem despreze a “última parte” do ritual; o trabalho incompleto retorna como doença, dívida ou conflito. Respeite as proibições, não coma o que Ifá te vedou nem imite o que não entende. Mesmo que esteja na miséria, não abandone seu ofício nem a Ifá: a ajuda pode aparecer onde menos espera, mas a oportunidade é para endireitar o caminho, saldar dívidas e reparar o que está quebrado, não para voltar à desordem. Ifá exige sinceridade: reconheça seus erros, ordene sua vida espiritual e não culpe apenas bruxarias pelo que nasce de suas próprias decisões.

Recomendações

  • Vista roupas bem chamativas, vá a um lugar onde haja muita gente e, ao regressar a sua casa, vista-se de branco para que Obatalá lhe veja o rosto e lhe conceda suas bênçãos.
  • Nos lugares que visitar, retire-se a tempo.
  • Evite a soberba e procure manter-se longe de toda classe de tragédias.
  • Use pulseiras de metal de Obatalá.
  • Tenha muito cuidado ao apertar a mão dos outros.
  • Tenha cuidado com a água que bebe.
  • Receba Ifá para estabilizar seu caminho espiritual.
  • Esteja atento às dores de barriga e cuide delas a tempo.
  • Tenha cuidado com o fogo e com os lugares onde há brasa, pois pode se queimar.
  • Caminhe com precaução; o terreno que parece firme pode ser vão.
  • Faça ebó para sair bem de um negócio que o aflige.
  • Agradeça ao inhame, a Osun e a Shangó.
  • Tenha cuidado com pássaros ou outras coisas que seus inimigos possam lhe enviar.
  • Vigie a soberba e a pressão do sangue na cabeça para evitar que se manifeste pela boca ou na saúde.
  • Faça ebó com urgência quando houver um doente em casa.
  • O homem deve ser muito cuidadoso em suas relações com as mulheres, porque podem surgir tragédias por ele.

Proibições

  • Não coma inhame (Ishu), porque neste signo representa sua riqueza.
  • Não levante a mão para ninguém; se agredir alguém, pode causar-lhe a morte.
  • Não trate ninguém com falsidade, porque não lhe convém nem espiritual nem materialmente.

Obras (ebó) do Odu Iroso Ojuani

  • À pessoa é entregue um broto de inhame para que o use até secar; depois deverá trazê-lo para fazer com ele um Osanyin. Nesta obra é obrigatório adorar Shangó.
  • Faz-se ebó com um galo e entrega-se imediatamente a Osun.
  • Neste Ifá, a mulher tem um Egun que vive com ela. Para cortar essa influência, passa-se uma eyele funfun dos seios até suas partes íntimas, deixando-lhe a calcinha que vestia. Tudo é levado ao cemitério e enterrado.
  • A pessoa tem um pé na cadeia e outro no cemitério ou no hospital; por isso deve usar pulseiras de Obatalá que soem.
  • Oferece-se a Yewá, no cemitério, um pargo frito com gofio e tomate em uma panela.
  • Dá-se coco a Orúnmila para que a pessoa possa salvar-se. Faz-se ebó com pulseiras de Obatalá e dá-se obi kotobo piñado: sacrifica-se uma eyele, depois se envolve em folhas de Iroko e se coloca durante 16 dias diante de Obatalá. A eyele é dada à faca.

Reza do Odu de Ifá Iroso Ojuani

Iroso Ojuani Anaboro ona odó adifafun Orú leyé oni okó dundun akukó lebo, ewefá lebo.

Patakies (histórias) do signo de Ifá Iroso Juani (Ojuani)

A Luz De Shangó E O Discípulo Imprudente

Neste pataki, Shangó tinha um discípulo chamado Alabueli, a quem ensinava a dominar o fogo e a luz. Um dia, Alabueli foi visitar seu genro e seu cunhado em um povoado chamado Lese Oyó. Lá, por imprudência e falta de controle, queimou duzentas casas. As pessoas ficaram aterrorizadas e, ao ver que ele era discípulo de Shangó, começaram a dizer:
“Eu não entrego meus filhos a Shangó para que os ensine, porque tudo o que ele toca queima e destrói”.

Shangó, chamado neste caminho Oba Leyé, foi consultar Orúnmila. Este lhe viu o Odu, mandou fazer ebó e depois Shangó partiu para a terra de Ejiogbe Mokun Inle, além de Ifé, onde viviam outros discípulos seus. Ali o receberam com um grande convite, mas Oba Leyé levava em sua bolsa (apó) duzentos eboses, muito epó e ashé de enu. Ao terminar o banquete, anunciou:
“Devo ir recolher os rapazes que suas famílias me entregarão para ensiná-los e levá-los a Lese Oyó”.
Mas quando foi à casa das famílias, ninguém quis entregar seus filhos. O rejeitavam pelo que havia feito seu discípulo Alabueli, culpando Shangó pelas desgraças do povo.

Shangó voltou então à casa de Orúnmila e fez outro ebó com um carneiro, dois patos, dois galos e bastante dinheiro, e foi-lhe indicado preparar um grande convite para todo o povo. Quando o organizou, ninguém queria vir; alguns inclusive desejavam matá-lo. No entanto, Shangó começou a cantar e a dançar, e de repente deu um forte chute no chão: começou a cuspir fogo pela boca e todo o lugar se iluminou como se fosse dia. O fogo não destruiu, mas se manifestou como uma luz poderosa que iluminou a terra. O povo, assombrado, reconheceu sua grandeza e o colocou como Oba (rei) de Lese Oyó. Desde então, essa luz serviu para iluminar e guiar o povo, e não apenas para queimar.

Explicação: Esta história mostra que o verdadeiro poder não está em destruir, mas em transformar. Alabueli encarna o axé usado com inaptidão: um fogo que só deixa ruína e faz com que culpem o mestre. Shangó, em contrapartida, demonstra que a mesma chama pode se converter em luz que guia e ordena. Ìrosùn Òwónrín ensina que não se deve julgar Ifá nem os orixás pela imprudência daqueles que os representam: o dom mal direcionado queima, mas o dom purificado ilumina destinos e restaura a confiança.

O Carneiro, o Cão e a Fazenda dos Segredos

Irosun Òwónrín prosperou enormemente em seu negócio agrícola. Sua fazenda era tão bem-sucedida que o Carneiro e o Cão se aproximaram dele para aprender os segredos de seu cultivo. Irosun Òwónrín, com boa disposição, deu-lhes terras para semear, mas foi claro com uma condição firme: proibiu-os terminantemente de cultivar os dois produtos que ele usava em sua própria fazenda, o inhame e as nozes de kolá. Após receber as terras e o aviso, cada um partiu para sua respectiva fazenda.

Com o tempo, a cobiça e a curiosidade foram mais fortes que a obediência. Um dia, o Carneiro convenceu o Cão a comer das nozes de kolá, confessando-lhe que ele já havia comido do inhame. O que não sabiam era que Irosun Òwónrín tinha vigilantes dia e noite naquelas terras. Quando o guarda informou as ações de seus “hóspedes agricultores”, Irosun Òwónrín ordenou um castigo exemplar: fez com que o Cão corresse fugindo como um louco e que o Carneiro perdesse a voz até se tornar quase inaudível. Ambos ficaram mudos de explicação por muito tempo, incapazes de contar o que lhes havia acontecido.

Explicação: Esta história ensina que a desobediência por cobiça sempre tem um preço. O Carneiro e o Cão tiveram acesso à abundância, mas romperam o limite que sustentava essa graça. Iroso Ojuani recorda que quando traímos a confiança de quem nos guia, perdemos voz, crédito e estabilidade: o castigo não é só espiritual, também é perder o respeito e a palavra.

Iroso Ojuani Ifá Tradicional

Verso de Ìrosùn Òwónrín

Ònà gbóóró
Ònà ko
Fizeram adivinhação para Àpón Àko
Quando chorava porque ele não tinha esposa
Ele foi aconselhado a oferecer sacrifício para conseguir esposa
Àpón Àko ouviu falar do sacrifício
E o fez
Ònà gbóóró
Ònà ko
Fizeram adivinhação para Àgàn Ifè
Ela foi aconselhada a oferecer sacrifício para que pudesse encontrar um bom esposo
Ela também ouviu falar do sacrifício
E o fez
A primeira pessoa levou seu sacrifício a um cruzamento de caminhos
A segunda pessoa também levou seu próprio sacrifício a um cruzamento de caminhos
Àpón Àko colocou seu sacrifício na interseção de caminhos
Ele começou a rezar
“Meu criador”
“Permita-me encontrar uma boa esposa para me casar”
“Envie-me uma boa esposa no caminho”
“Permita-me estar tranquilo”
Quando ele estava rezando
Àgàn Ifè também chegou
Ela também colocou seu próprio sacrifício
E começou a rezar
“Eu te suplico, meu criador”
“Permita-me encontrar um esposo compassivo”
“Um esposo carismático e considerado”
“De maneira que minha vida melhore”
“Permita-me encontrar um esposo carismático”
“De maneira que minha vida esteja melhor”
“Uma pessoa com quem eu possa ter filhos”
Assim foi como eles dois se uniram
Eles começaram a louvar seu sacerdote Ònà góóró
E ao sacerdote Ònà ko
Seus Babaláwos estavam louvando Ifá
Eles disseram que foi exatamente como seus Babaláwos haviam dito
Ònà gbóóró
Ònà ko
Fez adivinhação para Àpón Àko
Quando chorava porque não tinha esposa
Ònà gbóóró
Ònà ko
Fizeram adivinhação para Àgàn Ifè
No dia em que estava chorando porque não tinha esposo
Ambos foram à união de três caminhos
E coincidentemente se encontraram um ao outro
Ònà gbóóró
Ònà ko
Não existe outro Ifá que demonstre veracidade como o faz Ìrosùn Elérín
Ònà gbóóró
Ònà ko.

Este verso ensina que o sacrifício e a obediência abrem o caminho para que o destino se cumpra. Nem Àpón Àko nem Àgàn Ifè ficaram apenas chorando por sua solidão: consultaram, fizeram ebó e caminaram até o cruzamento de caminhos. É nesse ponto — onde a vontade humana e o axé de Ifá se encontram — que seus destinos se cruzam. Ìrosùn Elérín lembra que não basta desejar uma bênção: é preciso ouvir o conselho, fazer o que corresponde e confiar que o criador sabe unir as pessoas no momento e lugar adequados.

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