Obara Otrupon (Òbàrà Òtúrúpòn)

Obara Otrupon (Òbàrà Òtúrúpòn), signo #117 da Ordem Senhorial de Ifá, adverte sobre um estado de calor espiritual: a casa, a família e a pessoa ardem com discórdias, bruxaria e paixões descontroladas. É um Odu de assédio próximo — os inimigos não estão longe, mas ao lado ou à frente, atentos a incitar e atacar — e, ao mesmo tempo, um mapa para esfriar a vida com disciplina, limpeza e obediência.

Análise e Interpretação de Odu de Ifá Obara Otrupon:

A vida de quem se rege pelo signo Obara Otrupon é um caminho de provas e fracassos se não aprender a dominar a porfia. A teimosia o leva a rejeitar conselhos, a ignorar os sacrifícios que Ifá lhe marca e a fechar-se à mudança. Essa teimosia abre rachaduras em seu destino por onde entram a miséria, os conflitos e os ataques de inimigos.

O Odu mostra uma pessoa que sente que tudo conspira contra ela, e é verdade que os inimigos estão perto, mas muitas vezes a raiz da desgraça é sua própria obstinação. Ifá exige uma guinada radical: humildade, obediência e disciplina. A teimosia é veneno; a humildade é a única armadura que assegura o Ire.

“De fracasso em fracasso por teimosia.” O sofrimento aqui não se deve unicamente à bruxaria nem à má sorte, mas à resistência do próprio indivíduo em obedecer. A prosperidade chega quando a voz de Ifá pesa mais que o ego.

Aspectos Econômicos

No âmbito econômico e laboral, este signo proíbe construir com abuso, intimidação ou atropelo. Quem edifica seu sustento sobre a humilhação de outros termina na ruína. A prosperidade em Obara Otrupon baseia-se na inteligência, na estratégia e na proteção espiritual.

O ambiente de trabalho costuma estar “quente”: os inimigos trabalham ativamente para provocar a perda do emprego, do negócio ou da posição. A inveja gera ataques constantes, e a única forma de se sustentar é agir com retidão e manter-se espiritualmente blindado mediante eboses e sacrifícios.

“Os inimigos me têm rodeado.” Não é paranoia: este Odu revela que a pessoa vive sob constante vigilância e competição hostil. Prosperar não é apenas trabalhar, mas também proteger-se espiritualmente e refrescar o caminho.

Bem-estar e Saúde

Obara Otrupon fala de doenças que “infestam” como parasitas: sarna, raiva, pulgas e carrapatos, símbolos de doenças que corroem por dentro. Existe predisposição a problemas intestinais, úlceras, hemorroidas, dificuldades circulatórias e doenças do sangue. Além disso, descreve doenças que os médicos não conseguem diagnosticar: o mal-estar persiste, embora os exames não revelem nada, porque a origem é espiritual.

Neste signo, a cura começa com o Ebó, que limpa a raiz invisível, e depois com a medicina, que trata o corpo físico. Também adverte sobre infertilidade, abortos e crianças Abikú: “aves de passagem” que correm o risco de retornar ao céu se não forem realizadas cerimônias para ancorá-los à vida.

“Nasci, e devo retornar ao Céu.” A fragilidade da vida é central neste signo. As crianças sob Obara Otrupon requerem cuidados e rituais urgentes, pois sua permanência na Terra depende de quebrarem pactos celestiais.

Aspectos Religiosos

Este Odu (Òbàrà Òtúrúpòn) está cheio de segredos e proibições. Aqui são entregues cães a Ogún, a Osanyin e a Eshu-Elegba, ritual de poder para vencer as guerras mais difíceis. Também exige refrescar a casa constantemente com omiero de ervas de Obatalá, para apagar o fogo da bruxaria.

Os tabus são severos: não comer coco, inhame nem amendoim, e não batizar ninguém. O iniciado sob este signo deve receber o quanto antes Osanyin, Azojuano e Oduduwa para ter defesa contra as calamidades. A inteligência de Obatalá é modelo: agir com cabeça fria e não com impulsos.

Relações Pessoais (Amor)

No amor e na família, Obara Otrupon mostra seu rosto mais escuro. Fala de um lar corrompido por dentro, onde surgem paixões proibidas, escândalos e acusações injustas. Aqui nasce a tragédia da violação incestuosa, onde a inocência é destruída e a culpa é deslocada sobre inocentes.

Este signo aconselha a mulher a buscar estabilidade em um homem mais velho que represente segurança, não perigo. No entanto, as relações neste signo de Ifá costumam ser marcadas por ciúmes, culpas e paixões descontroladas. A harmonia só é alcançada com autocontrole e respeito aos limites sagrados.

“Por minha loucura, a corrupção está em minha família.” A loucura aqui é ceder a impulsos baixos e proibidos. Uma falta moral nunca fica isolada, mas envenena toda a linhagem. A estabilidade familiar depende da integridade e do controle dos desejos.

Descrição Geral do Signo Obara Otrupon

Obara Otrupon é o Odu da casa quente, do assédio de inimigos próximos e da tragédia provocada pela teimosia. Ensina que o perigo nem sempre vem de fora, mas da teimosia e dos impulsos mal governados. A solução está na obediência a Ifá, na inteligência de Obatalá e na purificação constante. Quem vive este signo deve aprender que a humildade, o sacrifício e a disciplina são as únicas chaves que esfriam o fogo e abrem as portas do Ire.

Nomes ou Pseudônimos:

  • Obara Otrupon.
  • Obara Tumbun.
  • Obara Tumo.
  • Obara Trupon.
  • Òbàrà Òtúrúpòn.

O que nasce no Signo Obara Trupon?

  • O ânus (endoko).
  • O porquê Oyá se veste de 9 cores.
  • A inteligência de Obatalá.
  • Onde Eshu-Elegba comeu cachorro com Ogún.
  • A tragédia como consequência da incitação dos seres humanos.
  • A raiva, a pulga, a sarna, o carrapato e todas as doenças parasitárias do cachorro.
  • Aqui: A tartaruga se deitou com a filha.
  • A mulher deseja fazer o ato sexual pelo ânus (Indoko).
  • A mulher tem que se casar com um velho.
  • A casa está quente (refrescar com Omiero).
  • Dá-se cachorro a Ogún e Osanyin.
  • Confecciona-se uma boneca para fazer Ebó.
  • O inimigo vive na frente ou ao lado de sua casa.
  • Prepara-se um Inshe-Osanyin para a saúde ao pé de uma mata ou em uma lagoa.

Recomendações:

  • Refrescar a casa com Omiero de prodigiosa (ewe dun dun), bredo branco (ewe tete-nifá) e Iyefá rezado do Odu.
  • Para prosperar, dar três galos ao caminho vestidos de mariwó, untar no corpo manteiga de cacau com nove pimentas-da-guiné e casca de ovo de galinha crioula, e espalhar milho cru no lugar aonde se chega.
  • Dar um galo a Shangó e outro a Yemajá; antes de entregá-los, colocar a cabeça na calçada, chamar Eshu-Elegba e Shangó, e depois colocar Iyefá e mel no bico.
  • Dar cachorro a Osanyin, a Eshu-Elegba e a Ogún.
  • Preparar um Inshe-Osanyin para a proteção.
  • Para neutralizar o inimigo, dar dois galos a Shangó: jogar uma cabeça na frente da casa do inimigo e com a outra confeccionar um Inshe-Osanyin.
  • O Awó (Obara Tumo) deve receber o quanto antes Osanyin, Azojuano e Oduduwa.
  • Dar sangue de peixe fresco a Ogún e duas galinhas pretas a Orúnmila junto com Oyá.
  • Fazer Ebó antes de ir ao médico.
  • Limpar a casa com ervas de Obatalá para refrescá-la e combater a bruxaria.
  • Alimentar sua cabeça.
  • Mudar-se da moradia atual.

Proibições:

  • Não viver apoiado na força bruta, atropelando, vexando ou escravizando os outros.
  • Não culpar os outros pelo que acontece nem criar escândalos.
  • Não comer coco, inhame nem amendoim.
  • Não batizar ninguém.
  • Significado do Odu Obara Otrupon (Obara Tumbun)

    O Odu Obara Otrupon significa provas, perigos ocultos e a necessidade de disciplina espiritual para não perder o destino. Seu significado central é que a pessoa deve viver com prudência, evitando a raiva, a teimosia e o descuido dos sacrifícios. Sob este signo, a vida pode tornar-se instável se não se cumprir o que Ifá indica, mas também promete proteção e vitórias quando se obedece.

    Obara Otrupon significa que conflitos e disputas podem surgir sem que a pessoa os procure, podendo até se ver envolvida em problemas ou casos legais dos quais não tem conhecimento. Para evitar isso, Ifá marca sacrifícios com pano branco, um bode e, ocasionalmente, uma cabaça (ugba u okpan). Esses mesmos sacrifícios têm o significado de preservar a vida dos filhos que nascem sob este Odu, assegurando que uma criança “ave de passagem” não retorne prematuramente ao Céu.

    O signo também significa que o mau gênio e a obstinação podem abrir portas para tragédias. Por isso, o Ebó não só protege, mas também ensina humildade e controle do caráter.

    Quando este Odu aparece em Igbodu, seu significado é ainda mais profundo: adverte sobre problemas motivados por relações conflitivas e trabalhos de bruxaria. No entanto, Ifá promete que o Rei da Noite estará ao lado da pessoa, desde que se lhe sacrifique uma cabra, um bode e sua cabeça com um pato. Em registros ordinários, servir Eshu com um bode e um pato significa assegurar a vitória sobre os inimigos.

    Por último, Obara Tumbun também tem um significado no âmbito do amor: assinala que a pessoa deve realizar sacrifícios para encontrar a mulher correta e alcançar a estabilidade no casamento.

    Refrões de Obara Otrupon:

    • De fracasso em fracasso por teimoso.
    • Os inimigos me têm rodeado.
    • Pela minha loucura, a corrupção está na minha família.
    • Eu falho, e a culpa cairá sobre o outro.
    • Nasci, e devo retornar ao Céu.

    “Eu falho, e a culpa cairá sobre o outro.” Aqui falhar significa quebrar um tabu, não cumprir o sacrifício ou desobedecer à advertência de Ifá. Este Odu adverte sobre a tendência de culpar os Orixás ou os inimigos pelo que na realidade é consequência da própria negligência. A responsabilidade espiritual não se delega; se um falha, as consequências recaem sobre sua vida.

    Código ético:

    «O Awó não faz mal a ninguém» O verdadeiro sacerdote de Ifá não utiliza seu conhecimento para destruir, mas para guiar e curar. Obara Otrupon ressalta a ética do awo: quem vive em Ifá deve ser fonte de equilíbrio, nunca de malícia.

    Ifá diz Obara Otrupon

    Este Odu revela provas e advertências importantes para a vida familiar, a descendência e o destino pessoal. Assinala que a proteção dos filhos, o cumprimento dos sacrifícios e a prudência frente a inimigos ocultos são determinantes para assegurar o Ire e evitar o Osobo. Ifá ensina que a desobediência, a teimosia ou o descuido dos tabus podem abrir a porta para tragédias familiares, perdas e acusações injustas.

    Em Ire (Positivo)

    • Para ter estabilidade e assento na vida, a pessoa deve realizar o Ebó correspondente.
    • Se a mulher estiver grávida, sete dias após dar à luz a criança deve ser registrada e feito Ebó para ela, junto com o pai. Isso assegura a proteção espiritual da criança e da família.
    • O mesmo sacrifício ajuda a que o filho não se torne “ave de passagem”, ou seja, que não retorne prematuramente ao Céu.
    • Ifá indica que, com obediência e sacrifício, podem-se neutralizar as manobras dos inimigos e superar qualquer luta. Dar um bode a Eshu com uma faca garante a vitória e a sobrevivência nos conflitos.
    • Também se recomenda agradecer a Azojuano, recebê-lo e portar seu colar como proteção contra doenças e desgraças.
    • Quando a pessoa cumpre com esses sacrifícios, pode assegurar prosperidade, saúde e harmonia familiar, evitando que os problemas afetem a linhagem.

    Em Osobo (Negativo)

    • Se os sacrifícios não forem cumpridos, a criança corre o risco de ser separada do pai aos sete anos, ou de ser prejudicada por ele aos quatorze.
    • Existe um grave perigo para as meninas dentro do lar: podem ser vítimas de abuso por parte do pai ou padrasto, que depois tentará culpar outro. Este patakí se reflete na tartaruga macho que violentou sua filha e acusou o bode de ser culpado.
    • A pessoa corre o risco de perder seu destino por danos espirituais enviados por inimigos.
    • Pode se ver envolvida em disputas ou problemas legais dos quais não tem conhecimento, se não realizar o sacrifício marcado.
    • Ifá adverte sobre o perigo de se perder em uma floresta ou em um lugar afastado e morrer ali, se não cumprir com o Ebó da tela branca e do bode.
    • Também indica que a pessoa pode arrastar problemas por seu mau gênio, gerando conflitos e inimizades que trarão perdas e desgraças.
    • Patakies do signo Obara Otrupon:

      A guerra anunciada e o preço do sacrifício

      Orúnmila adivinhou para três criaturas: a formiga-soldado (Ìjáló/Okhian), a minhoca (Èkòló/Ikolo) e a mosca (Èṣinṣin/Ikian). Ele as advertiu: “A guerra é iminente”. Indicou a Ìjáló oferecer a Eshu um bode e uma faca; a Èkòló e Èṣinṣin, um bode cada uma.

      A formiga obedeceu. A minhoca não. A mosca, temerosa, correu para a mata e construiu uma casa sem portas nem janelas para se esconder.

      Quando a guerra estourou, Eshu guiou os invasores em direção às formigas; mas, pela faca do sacrifício, suas bocas se tornaram armas. Ìjáló avançou entre as linhas, abrindo caminho e defendendo-se com ferocidade. A minhoca, que não fez oferenda, fugiu entre as formigas e foi cortada em pedaços.

      Ao acalmar-se a batalha, alguns saquearam o palácio e esconderam o butim na casa selada da mosca. Acusada de roubo, Èṣinṣin foi levada a julgamento. Sem defesa nem testemunhas, foi condenada à morte. Então Eshu, disfarçado de moça, perguntou-lhe se havia feito sacrifício. A mosca confessou que havia consultado, mas não cumprido. Rogou a Eshu que oferecesse em seu nome, e Eshu o fez instantaneamente.

      No dia da execução, Eshu influenciou o conselheiro real e o juiz. “Não merece morrer”, disseram. O Rei comutou a pena: a mosca viveria longe da mata e só poderia habitar onde houvesse duas ou mais pessoas. Por isso, até hoje, as moscas rondam os povoados e as casas.

      Ifá conclui: quando Obara Otrupon aparece em Igbodú, há luta próxima; deve-se dar um bode com faca a Eshu para sobreviver. Em registro ordinário, o mesmo sacrifício evita ver-se envolvido em disputas alheias.

      Explicação: Este pataki ensina que consultar sem obedecer é tão inútil quanto não consultar. A formiga prospera por sua disciplina; a minhoca sofre por omissão; a mosca se salva por misericórdia, mas fica limitada. O sacrifício a tempo abre caminhos; a desobediência os fecha, e a piedade divina não isenta de aprender a lição.

      Obara Tumo e a traição do cachorro

      Na terra Ñara Ñara, o rei Obara Tumo havia confiado seu governo e seus segredos a Eshu, e entregou-lhe também seu criado, o cachorro. Por sua proximidade com o rei, o cachorro vivia limpo e atendido, mas não estava satisfeito: Eshu o fazia trabalhar. Nas refeições, o cachorro sentava-se à mesa; um dia Eshu começou a desconfiar: o animal latia, levantava-se e não comia até que Eshu e o rei terminassem. Pouco depois, Eshu o ouviu intrigar contra ele diante de Obara Tumo. Calou, mas entendeu que o cachorro, conhecedor dos segredos do reino, poderia arruinar tudo.

      Na véspera de uma grande festa a que compareceram Osanyin, Ogún, Oshosi, Shangó, Azojuano e Oba Ogú (Shayemini), Eshu entoou:
      “Ajà tó lò bí ajá ni, ajá tó lò gúngún oyin;
      ajá mò rárá bí ajá tó lò.”

      O cachorro correu para falar em segredo com Oba Ogú. Ciente, Osanyin disse a Eshu: “Eu posso me transformar sem ser reconhecido. O cachorro planeja ir com Oba Ogú. Se for verdade, eu o seguirei. Dou-te um segredo para vencê-lo: ponha algo na comida que lhe cause coceira; ele se coçará na terra e Ogún se encarregará. Acabarão desprezando-o em Ñara Ñara”.

      O cachorro, crendo-se impune, foi com Oba Ogú e revelou-lhe os segredos do reino e do governo de Eshu. Oba Ogú prometeu destronar Eshu e entregou-lhe um “segredo”: “Ao voltar, passe a língua por isto, enterre-o e esfregue-se na terra”. Osanyin, que escutava, advertiu Eshu e acrescentou: “Teu segredo é um pedaço de osso e uma cabaça com bichos; uns morrerão, outros ficarão vivos. Jogue na comida do cachorro e espalhe pela terra”.

      A caminho de Ñara Ñara, o cachorro foi surpreendido pela chuva; o calor cedeu, mas seu “segredo” na alforje apodreceu. Ao chegar, enterrou o pacote… sem saber que Eshu já havia plantado o seu. Eshu informou a Obara Tumo, que aceitou: “O cachorro se tornou inimigo”. Decidiram esconder a comida e deixar-lhe apenas ossos. Ogún disse: “Eu me encarrego”.

      Faminto, o cachorro devorou os ossos e bebeu água; desesperou ainda mais. Lembrou a instrução de Oba Ogú e passou a língua pelo “segredo”, depois revoltou-se na terra infestada. Saíram-lhe bichos; a pele apodreceu e a coceira o enlouqueceu. Shangó apareceu: “Isto te acontece por traidor”. Cantou:
      “Ogún ọpá ajá irẹ̀ọ̀ abẹ̀lẹ̀lẹ̀ l’óyún”.
      Deu três cambalhotas; Ogún, furioso, esperou o raio de Shangó. O cachorro entrou em raiva; Ogún saltou em seu pescoço e o abateu. Assim, Eshu e Obara Tumo triunfaram sobre a traição.

      O Pataki mostra que a confiança é sagrada no poder e que o segredo protege a ordem. Quem trai sua casa expõe-se a ser vencido pelos mesmos princípios que desonrou: Eshu prova astúcia, Osanyin revela estratégia, Shangó dita justiça, e Ogún executa a lei das consequências.

      • A lealdade sustenta o reino; a traição corrói por dentro.
      • O sacrifício e a prudência neutralizam intrigas.
      • Quem semeia malícia, colhe seu próprio castigo.

      Quem rompe o pacto de sua casa se torna seu próprio carrasco; a astúcia de Ifá sempre restabelece a ordem.

      Obara Otrupon Ifá Tradicional

      Verso de Òbàrà Òtúrúpòn

      Ó kó nádúnádú bí eni oko ò bá seré
      Ó kó kùkùkèkè kùkùkèkè bí eni oko ò bá sòrò
      A díá fún Òbàrà Òtòkú
      Omo a rà, à á rà soko
      Wón ní kó rúbo
      Òbàrà Òtòkú ni ò rí Okùnrin bá a seré
      Wón ní yóó rìí Okùnrin bá seré
      Wón ní kó móo terí ba fún okùnrin
      Wón ni ‘ìwo lóó lòó tójú Okùnrin láyé’
      ‘Ó móo là móo lówó’
      ‘Sùgbón ó ó tiiri fún okùnrin’
      ‘Lóó fi gbádùn gbogbo nnkaàn re’
      ‘Ó ó ra oko ni’
      ‘Kóo mó baà sìnà’
      Ó kó nádúnádú bí eni oko ò bá seré
      Ó kó kùkùkèkè kùkùkèkè bí eni oko ò bá sòrò
      A díá fún Òbàrà Òtòkú
      Omo a rà, à á rà soko
      À n rà egbèje
      À n rà egbèfà
      Àgbà tó lówó lówó
      E wá rÈdú soko
      Ení ó lówó lówó
      Òbàrà Òtòkú bá ra Èdú
      Ló bá fi Òrúnmìlà soko è
      Èmí è bá gùn
      Ló bá bèrè síí bímo
      Ni ón bá là
      Ifá pé kí eléyìun ó móo tójú okoo rè.

      Se este Odù for revelado para uma mulher, não está destinado que ela tenha um homem rico como marido. Ela deverá escolher por si mesma um substituto, pois se insistir em unir-se a alguém abastado, seu fim não será favorável. Esta mulher alcançará a riqueza, mas não pode compartilhá-la com um homem igualmente rico. Seu caminho será prosperar junto a um companheiro que deverá tratar com respeito e obediência.

      Por outro lado, se este Odù se manifestar para um homem, ele deverá realizar sacrifício para que sua esposa consiga compreender sua maneira de ser e sua linguagem, garantindo assim a harmonia no casamento.

      Ela parece tão repugnante quanto uma mulher cujo marido não a toca
      Ela parece como se quisesse chorar como a mulher do marido que não fala com ela
      Fizeram adivinhação para Òbàrà Òtòkú
      O filho do clã ‘Compraremos; e compraremos até fazê-lo nosso esposo’
      Aconselharam-na a oferecer sacrifício
      Òbàrà Òtòkú é a que não podia encontrar um homem que a tocasse
      Eles lhe asseguraram que ela o encontraria
      ‘Mas você terá que ser submissa com o homem’
      ‘Você será muito rica’
      ‘Você será muito feliz na vida’, disseram eles
      ‘Você mesma terá que comprar um’
      ‘Para que não se desvie de seu caminho’
      Ela parece tão repugnante quanto uma mulher cujo marido não a toca
      Ela parece como se quisesse chorar como a mulher do marido que não fala com ela
      Fizeram adivinhação para Òbàrà Òtòkú
      O filho do clã ‘Compraremos; e compraremos até fazê-lo nosso esposo’
      Nós adquirimos como 140.000 unidades de dinheiro
      Nós adquirimos como 120.000 unidades de dinheiro
      As anciãs que são tão ricas
      Venham e comprem Èdú como seu esposo
      A endinheirada
      Òbàrà Òtòkú quando comprou Èdú
      E fez de Òrúnmìlà seu esposo
      Teria longa vida
      E começaria a ter filhos
      E se faria rica
      Ifá aconselha esta pessoa a cuidar de seu esposo.

      Reza do Odu Obara Otrupon

      OBARA TRUPON, OBARA TUMO, BEYELE AWO OBARA KEKE YENI MAWA FUN.
      OTRUPON KEYEGUN GUAGUA BASHEMI IFA, AWO OBARANERE OBONE ERENI FEGUA.
      AYEKUN ELEGBA, OSHA OBI AYE, OBANIRE KAFEREFUN ESHU.

      Suyere de Obara Tumbun

      OBANIRE AYE, OBANIRE AYE,
      AWO BEYENI IFA, ODARA BELERI IFA,
      OBANIRE AYE.

      Ebó (Obras) de Obara Otrupon

      Para a saúde:
      Dá-se uma pomba à pessoa e ao Awó que realiza a obra, de maneira que caia dentro de uma panela com Omiero preparada de antemão. Ao concluir o Ebó, ambos se banham com essa preparação e depois queimam suas roupas, jogando-as junto com os resíduos do banho. Finalmente, o Awó e a pessoa fazem Ko-Obori (rogacão de cabeça) com coco, cacau e cascarilla (obi omi tutu).

      Para vencer os inimigos:
      A Shangó são entregues dois galos. A cabeça de um é depositada em frente à casa do inimigo, e com a outra se confecciona um Inshe-Osanyin que se leva consigo como proteção e arma espiritual.

      Eshu do signo Obara Otrupon: Agbó Baba Meleké

      Este Eshu é conhecido como Fotifo, um Eshu de natureza irreverente e desvergonhada, descrito como indecente e dado à bebida. Quando baixa sobre a cabeça de seu médium (adosu), costuma exibir suas partes como mostra de seu caráter provocador. Também se diz que pode deixar cego quem não o atender com respeito e as oferendas correspondentes.

      Confecciona-se em forma de boneco, representado com o pênis ereto e vestido com uma sainha de mariwó.

      O fundamento é carregado no interior do boneco, previamente perfurado pela cabeça, com os seguintes elementos:

      • Terra das quatro esquinas, da porta do cemitério, de uma arada e de uma ladeira.
      • Olho e ovos de bode, olho e ovos de galo.
      • Raiz de cabaça.
      • Cabeça de majá e beija-flor.
      • Pedra de ladeira.
      • Eru, obi, kolá e osun naború.
      • Metais: ouro, prata e cobre.
      • Três corais e três azabaches.
      • Pelo das partes íntimas de um cadáver: se for para um homem, utiliza-se pelo de uma mulher; se for para uma mulher, pelo de um homem.

      Este Eshu Eleguá alimenta-se de costas e suas oferendas principais são jabuti e galo.

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