Odi Ogunda é um dos Odù do corpus de Ifá, pertencente ao Livro de Odi, e ocupa o número 69 dentro da hierarquia sagrada. Este signo revela importantes bênçãos na vida de quem o recebe: uma existência longa, paz interior e recompensas por seu esforço. Ifá o descreve como alguém madrugador, que sai para trabalhar cedo, e é precisamente nessas primeiras horas do dia onde encontrará suas fortunas. A constância, a boa atitude e o respeito pelo dever serão chaves para seu progresso e estabilidade.
Análise Geral do Signo Odi Ogunda
Ifá revela em Odi Ogunda que a força sem direção é como um rio transbordado: arrasta tudo, inclusive o próprio destino. Este Odu é a manifestação do conflito entre o poder e a sabedoria. Aqui nasce a armadilha, não só como engano para os outros, mas como a armadilha que o ser humano arma para si mesmo quando não é sincero com seu caminho espiritual.
O Axé deste Odu habita na boca. A palavra se converte em tambor, em mensagem, em decreto. Aqueles marcados por Odi Ogunda têm o dom da voz, mas também a responsabilidade de que o que digam construa, não destrua. Assim como o tambor ILU foi criado para levar notícias reais aos reis, a voz de quem carrega este signo pode levantar impérios ou provocar catástrofes.
Este signo fala de uma luta constante contra as sombras internas e externas, de inimigos invisíveis que se ocultam na quotidianidade: em uma palavra mal dita, em uma relação mal escolhida, em um silêncio que se guarda quando se deveria falar. Odi Ogunda é o Ifá da lua, mas não de sua luz, e sim de sua face oculta: a que atrai, seduz, mas também confunde.
Aspectos Econômicos
Em Odi Ogunda, a abundância é uma visitante exigente. Chega quando encontra ordem, disciplina e silêncio na alma. Mas se entra e encontra discussão, caos ou dupla moral, parte sem olhar para trás. Este signo fala de pessoas com talento, sobretudo na comunicação, mas que muitas vezes não conseguem consolidar o sucesso porque a vida interna não está alinhada com o que buscam fora.
O dinheiro chega, mas também escapa. Ifá diz que há dias em que se deve cozinhar cedo, limpar a casa, e esperar o trabalho como se espera o amanhecer: com fé, mas sem ruído. Não é um signo de carência, e sim de advertência: o sucesso que se obtém sem limpeza espiritual, acaba sendo cobrado em forma de traição ou queda repentina.
Aqui nascem os negócios ocultos, as vozes gravadas, os olhos que espiam das sombras. Por isso Ifá ensina: melhor caminhar lento e seguro, do que correr para um sucesso que vem com um preço oculto.
Saúde e Bem-Estar
Odi Ogunda carrega cicatrizes profundas. Aqui o corpo fala: às vezes com um grito (a operação, a doença), às vezes com um sussurro (a pressão que sobe e desce, o órgão que falha sem avisar). Este signo fala de cirurgias inevitáveis, doenças do útero, problemas menstruais e hepáticos, sangue que escapa por onde não deve.
Mas a dor física é reflexo de uma dor espiritual. Muitos dos males aqui vêm da alma que não foi ouvida, do Egun que não foi atendido, do tabu que foi quebrado sem saber. Por isso, Ifá insiste: banhos, missas espirituais, respeito pela casa e pelo corpo. Aqui o corpo é templo, mas também trincheira. E se não é limpo, se converte em ruína.
Evitar o resplendor da lua não é superstição: é uma advertência para os sensíveis. A energia da lua neste signo pode alterar, perturbar, desviar. É preciso guardar a noite, não expor a alma quando os véus estão mais finos.
Aspectos Religiosos
Este signo exige respeito pelo céu e pela terra. Quem faz Ifá sem permissão do Anjo da Guarda, carrega sobre si uma dívida espiritual difícil de saldar. Aqui, Obatalá percorreu o mundo buscando a pureza nos corações dos Babalawos… e voltou decepcionado. Essa história não é alheia: é uma advertência para todos os que carregam coroa sem merecê-la.
Odi Ogunda pede compromisso total com a fé. Não se pode viver pela metade com os Orixás. Aqui se divide a sopeira de Ifá, símbolo de que o sagrado pode se romper se não for honrado. Por isso este Odu pede limpeza constante, obras com Xangô, respeito por Ogum, conexão com Iemanjá, e fidelidade ao próprio Orí.
Proíbem-se certas comidas, recomendam-se certos rituais, e sugere-se ter uma cachorra preta e branca chamada Ayafá, símbolo de lealdade e alerta espiritual. Não é casualidade: quem tem este signo vive rodeado de espíritos, e necessita de olhos que o vejam onde ele não alcança.
Relações Pessoais (Amor)
O amor, em Odi Ogunda, é uma prova de fogo. Aqui se perdem filhos, perde-se autoridade, e perde-se a paz do lar se não se age com maturidade emocional. Ifá diz que o caráter forte pode quebrar o que tanto custou construir. Aqui, muitas vezes se ama, mas não se sabe cuidar do amor. E isso o transforma em um campo de batalha.
O awo com este signo deve evitar a promiscuidade, pois aqui o prazer desenfreado se converte em porta para o desastre. Também se adverte que pelo egoísmo de duas mulheres pode-se perder a vida, o que metaforicamente se refere a triângulos amorosos, traições, manipulações ou decisões sentimentais que custam demais.
Há um chamado para curar o vínculo com os filhos. Ifá diz que quem perde o respeito de seus descendentes, perde parte de seu caminho espiritual. A palavra aqui também é medicina: falar com amor, com firmeza, mas sem ferir.
Descrição Geral do Signo de Ifá Odi Ogunda
Odi Ogunda não é um caminho fácil, mas é um caminho de despertar. Este signo ensina que a vida pode mudar em um segundo, e que o que não se corrige a tempo, se converte em tragédia. É um Odu que pede maturidade, vigilância, humildade e ação.
O que nasce no signo Odi Ogunda?
- O tambor Ilú ou tambor mensageiro dos Reis.
- A armadilha e a mentira.
- O grande espírito do tambor de Daomé, que simboliza o Teghesu Sama.
- A distração da vista e o passo das nuvens.
- A gravação e a espionagem.
- A proibição do azeite de semente de milho (Adin) às divindades, exceto a Osanyin.
- O centro cirúrgico médico.
- A extirpação dos órgãos genitais internos da mulher (histerectomia).
- A necessidade de ter cuidado com os mortos e as festas espirituais.
- O pedido a Iemanjá para mudar de casa.
Do que fala Odi Ogunda?
- Iemanjá comia carneiro capado para arrumar seus desarranjos.
- O Awo não deve fazer mais de dois Ifá.
- Tragédias com os filhos.
- Quando se vê este Odu, sopra-se da barriga para fora.
- Ogum fabricou o arado de ferro.
Este Odu assinala:
- Obatalá percorreu o mundo para ver se os Babalawos tinham bom coração.
- A impotência dos homens.
- Dá-se comida aos quatro pontos cardeais.
- A pessoa tem mau caráter.
- A árvore Ikin foi por adivinhação para descer à Terra.
- Deve-se ter cuidado para não compartilhar a casa com outra pessoa.
- A pessoa faz Ifá sem permissão do Anjo da Guarda.
- Ogum tampou a vista dos mayomberos.
- Este Odu é utilizado para lutar contra o desrespeitoso.
Significado do Signo Odi Ogunda (7-3)
Em Odi Ogunda, Obatalá percorreu o mundo buscando Babalawos de bom coração, mas se decepcionou. Esta passagem mostra que o conhecimento sem pureza interior não tem valor. Também aqui, Ogum atuou como guardião, cegando os mayomberos com defumação, em defesa da verdade e da justiça espiritual.
Este signo é utilizado para enfrentar o desrespeitoso, o que trai a confiança ou as normas sagradas. Iemanjá, neste Odu, precisava de carneiro capado para curar seus desordens internas, refletindo que mesmo as divindades necessitam de restauração quando há desequilíbrio.
Neste caminho nasce a armadilha: Ifá ensina que muitas vezes, para sobreviver, a verdade se distorce. A sorte pode chegar, mas se encontra discussão na casa, vai embora. Por isso, o ambiente deve estar em paz para que o Ire permaneça.
O signo revela conflitos familiares, especialmente com os filhos, onde se perde a autoridade. É um Ifá de instabilidade, onde o espiritual e o emocional se abalam facilmente. Também é conhecido como Ifá da lua e do agricultor, pois Ogum fabricou o arado de ferro e rege tanto a terra quanto o corpo.
Aqui nasce o centro cirúrgico médico e marcam-se afecções graves: histerectomia, problemas de fígado, pressão arterial, garganta, cordas vocais e sangramentos. A Ogum são colocados instrumentos cirúrgicos, pois ele guia a mão que corta e também a que cura.
Este Odu assinala rupturas, como a divisão da sopeira de Ifá, e perigos espirituais: um Egun obsessor pode derrubar o iniciado e provocar a morte. Também nascem aqui a espionagem e a gravação da voz, símbolos de traição e vigilância.
É um signo que exige cautela. A pessoa pode ser mesquinha, atrair murmurações por suas relações ou perder objetos importantes. Ogum pode se tornar sombra se não for honrado corretamente. Odi Ogunda, como auxiliar de Baba Ogunda Meji, carrega um peso espiritual que não deve ser tomado de ânimo leve.
Recomendações
- Tomar banhos com ervas e limpar a casa.
- Usar a corrente de Ogum, Elegbá e Orunmilá.
- Realizar obras rapidamente se o Odu marcar Osogbo, Ikú, Arun ou Ofo.
- Soprar da barriga para fora quando se vir este Odu.
- Evitar compartilhar a casa ou objetos com outra pessoa.
- Fazer missa espiritual para os Eguns protetores.
- Cuidar da boca e procurar falar sempre coisas boas.
- Fazer sacrifícios para corrigir os transtornos de vida.
- Dar comida aos quatro pontos cardeais para controlar inimigos e alcançar a vitória.
- Fazer Santo e cumprir com o Anjo da Guarda se o Odu sair em Ikofafun ou Awofakan.
- Ter em casa uma cachorra preta e branca chamada Ayafá.
- Dar uma pomba na porta da casa.
- Realizar uma procissão dentro da casa com o interessado coberto com um lençol branco, baixar Obatalá e rogar a cabeça com duas pombas brancas cujo sangue deve cair sobre Obatalá.
Proibições
- Não fazer mais de dois Ifá se possuir este Odu.
- Não andar com pessoas que também tenham este Odu, já que podem gerar problemas de sangue e justiça.
- Não se expor ao resplendor da lua.
- Não fazer Ifá sem a permissão do Anjo da Guarda.
- Evitar a promiscuidade sexual.
Dice Ifá no odu Odi Ogunda:
Agarre-se com firmeza a Ogum e atenda tanto a ele quanto ao seu Anjo da Guarda. Você tem em mente se casar ou se comprometer, mas duas mulheres estão em conflito por você; cada uma o quer só para si, e em meio a essa disputa há perigo real. Não se descuide, porque podem até estar planejando fazer-lhe mal.
É necessário fazer ebo para proteger sua garganta, já que corre o risco de perder a voz. Afaste-se das fofocas, pois podem arrastá-lo a problemas sérios. Ifá o aconselha a fazer ebo também para atrair dinheiro, seja através da loteria ou por uma herança pendente, e assim poder saldar suas dívidas. Você tem que fazer Santo: seu caminho espiritual exige isso.
Você teve perdas: muitas barrigas, muitos filhos que não chegaram. E embora deseje formalizar uma união, há uma pessoa atravessada que impede seu avanço. Em sua casa há alguém que sempre chora em silêncio porque não quer voltar a parir; já teve dois filhos e só graças a um ebo um deles pôde sobreviver. Este Odu fala de vidas detidas por cargas emocionais e espirituais não resolvidas.
Provérbios do Odu Odi Ogunda:
- Diga-me com quem andas, e eu te direi quem és.
- A dívida com os mortos é má comida.
- A guerra com os mortos termina mal.
- Quem é velado, não escapa.
- A sabedoria do caráter equilibra a força física.
- A promiscuidade sexual conduz ao desastre.
«A sabedoria do caráter equilibra a força física» nos lembra que o verdadeiro poder não está na imposição, mas no domínio de si mesmo. A força sem controle pode destruir; em troca, o caráter temperado guia a ação com justiça. Ifá ensina que quem governa seu interior, governa seu destino.
Código ético:
- O Awó não deve fazer Ifá a ninguém sem o consentimento de seu Anjo da Guarda.
Òdí Ògúndá sublinha a importância do respeito espiritual e da ordem divina. Ninguém deve receber consagrações sem que seu Orí o aprove. Ifá ensina que sem esta permissão, o caminho se torce e a obra carece de fundamento verdadeiro.
Reza do Odu Odi Ogunda:
ODI OGUNDA BARALELE AWO OMI OYE BARALELE AWO AWO ABITI
ABARANILE YEWE IFA MOTORILAYE SHANGO OMO ALARA AWALADE NI SHANGO
BABINO BORIBO AWO, AWO ABITI MOYARE BINI BEYEKOFUN BURO BOBO BURE
BEYE AWO ABITI IFA KAFEREFUN ESHU MOYEBI WA ALARAMO ABITI.
Suyere:
OMO LADEO BARANILA AWO LERI IFA LADEO.
Ebo do Odu Odi Ogunda
Obra aos pés de Obatalá para atrair o Ire
Traça-se um caminho com duas linhas de cascarilla desde a porta da rua até o canastillero, deixando um espaço amplo entre ambas para que a pessoa possa caminhar no meio delas.
Realiza-se uma procissão: Obatalá é colocado no chão, diante do canastillero, e avança-se em direção à porta da casa tocando o agogó e cantando cânticos sagrados a Obatalá. A pessoa interessada vai coberta com um pano branco durante todo o percurso.
Ao chegar à porta, retorna-se ao ponto de início. Uma vez de volta, roga-se a cabeça ao interessado com duas pombas brancas, sobre Obatalá e sob o mesmo pano branco.
Antes de iniciar esta obra, deve-se oferecer uma pomba branca na porta da casa, untada com manteiga de cacau e cascarilla, como oferenda de abertura e proteção.
Patakis (histórias) do signo Odi Ogunda:
A Mãe e o Tambor Proibido
Em um povoado vivia uma mulher mais velha que ainda conservava o gosto por cantar e dançar. Tinha um tambor que tocava com alegria, e costumava se reunir com jovens para celebrar festas em segredo, longe do olhar de sua filha.
A filha, preocupada, pedia-lhe constantemente que deixasse de tocar esse tambor, pois pressentia que algo não andava bem. No entanto, a mãe não lhe dava ouvidos. Para evitar confrontos, ia para o bosque (o prazer) e ali organizava seus encontros festivos às escondidas.
Uma noite, a filha teve um sonho inquietante onde viu sua mãe rodeada de mortos. Ao despertar, contou-lhe com temor, mas a mãe desconsiderou a advertência. Desesperada, a filha acudiu à casa do Awó do povoado. Ao fazer-lhe Osode, revelou-se-lhe o Odu Odi Ogunda, e o sacerdote indicou um ebo urgente para proteger sua mãe.
Enquanto a filha reunia os elementos para o ebo, a mãe, ignorando tudo, pegou seu tambor e voltou ao bosque. Ali, os espíritos (Eguns) a cercaram e começaram a golpeá-la. Chamou sua filha com gritos de socorro, mas já era tarde. Os mortos não perdoaram, e a vida da mãe terminou nas mãos de sua desobediência.
Explicação: Esta história nos fala do perigo da desobediência espiritual. O tambor, símbolo de alegria, se converte aqui em porta para o proibido. O sonho foi uma advertência, e o ebo, uma oportunidade de redenção. Mas quando se ignoram as mensagens do Orí e dos mais velhos espirituais, o destino cobra sua dívida.
Quem desouve a voz do espírito, abre a porta para o castigo. Ifá fala antes de agir; quem não escuta, sofre as consequências.
Exu e o bode de quatro olhos
Olofin, rei de Ifé, possuía um bode sagrado com quatro olhos: dois na frente chamados Akole (guardiões internos) e dois atrás chamados Akode (guardiões externos). Este bode não era outro senão o próprio Sol, chamado Baba Ñu Kusi, o vigilante do mundo por encargo de Olofin.
Um dia, Olofin reuniu seu povo e lhes disse:
—Esse bode é meu. Ele será quem os vigiará. Nada do que façam passará despercebido, porque seus olhos veem tudo, na frente e atrás.
Exu, astuto e profundo conhecedor dos mistérios, compreendeu as palavras do rei e pensou como agir sem ser descoberto. Após várias injustiças cometidas contra ele e onde sempre se dava razão a Olofin e seu vigilante, Exu decidiu agir.
Acudiu a Orunmilá, que lhe viu o Odu Odi Ogunda e lhe marcou um ebo especial: devia usar tecidos de quatro cores (branco, preto, vermelho e azul), fazer um chapéu com eles, preparar quatro cabeças de terra, quatro galinhas e quatro bodes, que seriam oferecidos aos quatro pontos cardeais. Com tudo isso, Exu confeccionou seu gorro multicolor e pendurou um inshe Osanyin consagrado com o Odu.
Quando esteve pronto, consultou Ifá:
—O que devo fazer para provar que Olofin não pode ver tudo?
Ifá respondeu:
—Mate sua primeira esposa. Ponha o gorro e vá.
Exu obedeceu. Em seu caminho, cruzou com o bode sagrado. Pela frente, o bode viu uma gorra branca; por trás, uma preta; à esquerda, vermelha; e à direita, azul. Pensou que eram quatro pessoas distintas. Exu encontrou a esposa de Olofin no monte, cortando ervas, e ali cortou-lhe a cabeça.
O bode presenciou o crime e correu para informar o rei, descrevendo um homem avermelhado com gorro branco. Mas os guardas, que o viram de outras posições, juravam que era outra pessoa pela cor do chapéu. A confusão cresceu, estourou uma discussão e finalmente uma guerra entre os acusadores e os defensores.
Em meio ao caos, Exu matou o Primeiro Ministro com um só golpe, mas nem todos puderam ver o ato. A discórdia cresceu até se tornar insustentável.
Então Exu se apresentou diante de Olofin e pediu para convocar todo o povo. No dia seguinte, na frente de todos, disse:
—Eu adverti sobre a ignorância do bode de quatro olhos. Fui eu quem matou sua esposa e seu ministro, mas ninguém se pôs de acordo porque cada um viu algo distinto. Seu bode pode ser símbolo de vigilância, mas não vê tudo.
Olofin, impressionado pela lição, reconheceu a verdade:
—Você tem razão. Mostrou sabedoria. Eu lhe dou o direito de comer o bode de quatro olhos.
E assim foi. Desde então, Exu recebe bode em suas oferendas, e o sol —símbolo daquele vigilante— se oculta quando as nuvens o cobrem.
Este pataki mostra que nem o poder nem a vigilância absoluta garantem a verdade. Exu, com astúcia e conhecimento, desmascara a ilusão de controle total. Ensina que a percepção é limitada e que só a sabedoria real permite ver além das aparências. Aquele que domina o mistério vence o que só confia no que vê.
Òdí Ògúndá Ifá Tradicional
Em tempos antigos, fez-se adivinhação para Dun-Dun, o tambor sagrado, quando estava por receber grandes honras em terras estrangeiras. Aconselhou-se-lhe a fazer sacrifício com uma pomba, sabão preto, roupas e couro de animal. Dun-Dun obedeceu e realizou o ebo.
Ao chegar ao palácio de Olofin, começou a tocar e dançar. Sua música envolvia com tal poder que todos os membros da casa real, incluindo o próprio rei, se sentiram cativados. Em agradecimento, ofereceram-lhe presentes e distinções.
Dun-Dun repetiu sua apresentação nos palácios dos 16 reis e, em cada um, foi honrado com abundância. Ao regressar a casa, era já um homem rico e respeitado. Por isso, quando este signo aparece em consulta, anuncia-se à pessoa que Oba lhe concederá um cargo de liderança, sempre que cumpra com os sacrifícios devidos.
Òdí Ògúndá ensina que o talento abre caminhos, mas é o sacrifício que garante o sucesso. Dun-Dun não só encantou com seu dom, mas foi obediente ao conselho espiritual. Quem se prepara espiritualmente antes de agir, será bem recebido onde quer que vá.
Verso de Òdí Ògúndá
Dinndinnkúdá
Dìnndìnnkúdá
A díá fún Dùndún
Tí tí n rìn ní kòkò
Tí tí n rìn ní bàábá
Wón ní kó rúbo kó le deni òkánkán gbangba
Wón ní òpòlopò eyelé lebo
Òpòlopò owó lebo
Awoo pálà lebo
Won è é tíí pé Dùndún télè rí
Dùndún sà á n be ní kòrò
Ngbà ó rúbo tán
Ó bá dojó kan
Wón bá ní wón ó lòó pè é wá láti Ààfìn
Òun náà?
Ìgbà ó dé òhún
Dùndún té gbàjá aré sílè
Gbogbo ihun ti àwon ìlù tó kù ò le se
Dùndún bá se gbogbo è
Wón ní eni tí ó móo lù fún Oba jó láíláí nìyí o
Ni Dùndún bá n jó ní n yò
Ní n yin àwon Dinndinnkúdá àti Dìnndìnnkúdá
Àwon Babaláwo è n yin Ifá
Ó ní béè làwon Babaláwo tòún wí
Dinndinnkúdá
Dìnndìnnkúdá
A díá fún Dùndún
Tí tí n rìn ní kòkò
Tí tí n rìn ní bàábá
Wón ní kó rúbo kó le deni òkánkán gbangba
Mo mòmò yin Dinndinnkúdá
Mo yin Dìnndìnnkúdá
Dùndún tí tí n rìn ní kòkò
Dùndún wáá deni òkánkán gbangba
Mo yin Dinndinnkúdá
Mo yin Dìnndìnnkúdá o
Mo wáá deni òkánkán gbangba.
Ifá aconselha que esta pessoa deva oferecer sacrifício para que seja reconhecido dentro da sociedade. Diz Ifá que ele não será um ser desconhecido. Ele deverá oferecer pombas e dinheiro.
Dinndinnkúdá
Dìnndìnnkúdá
Profetizou Ifá para o tambor Dùndún
Aquele que nunca havia sido reconhecido
A quem ninguém havia prestado atenção
Por isso, aconselharam-no a oferecer sacrifício para ser reconhecido
Eles o aconselharam a oferecer sacrifício com muitas pombas,
Dinheiro suficiente
E qualquer pele de animal jovem
Dùndún nunca havia sido chamado a nenhum cerimonial
E nunca havia estado vagueando pelas esquinas
Depois que ele ofereceu o sacrifício
Um dia
O chamaram do palácio do Rei
“Eu” Exclamou cinicamente
Quando ele chegou lá
Atuou extensivamente
Todos os outros tamborileiros não puderam alcançá-lo
Dùndún fez de tudo
Eles raciocinaram que ele deveria ser um dos tambores do Rei a partir daquele momento
O tambor Dùndún começou a dançar de felicidade
Ele começou a louvar seus Babaláwos, Dinndinnkúdá e Dìnndìnnkúdá
Seus Babaláwos louvavam Ifá
Ele disse que foi exatamente como seus Babalaáwos haviam predito
Dinndinnkúdá
Dìnndìnnkúdá
Profetizaram Ifá para o tambor Dùndún
Que não era reconhecido
E a quem ninguém dava atenção
Aconselharam-no a oferecer sacrifício para que fosse reconhecido
Eu te louvo Dinndinnkúdá
Eu te louvo Dìnndìnnkúdá
O tambor Dùndún que nunca teve reconhecimento
Agora se tornou um grande Líder
Eu te louvo Dinndinnkúdá
Eu te louvo Dìnndìnnkúdá
Tornei-me um grande Líder.
Este verso nos ensina que o valor oculto brilha quando se acompanha de fé e sacrifício. Dùndún foi ignorado, mas obedeceu à mensagem de Ifá e preparou seu caminho. Ninguém é invisível para sempre; quem escuta Ifá e se prepara, será chamado ao centro onde antes era ignorado.
Exu Eleguá do Odu Odi Ogunda – Exu Joroki
Exu Joroki é uma manifestação de Eleguá associada à linhagem Arará-Daometana. É o guardião dos grandes segredos dos tambores sagrados, especialmente do Teghesu Sama, espírito ancestral do tambor.
Seu fundamento se constrói sobre uma pedra de arrecife, alta e estreita, semeada em uma tigela. Leva incrustados olhos e boca de búzios, além de sua respectiva faca ritual.
Carga:
- Chifre de veado
- Terra da ladeira
- Areia de rio e de mar
- Ilekán
- Terra de monte, lixão e cemitério
- Pimentas da Guiné
- Ero, Obi, Kolá
- Osun Naború
- Cabeça de coruja e urubu
- Ouro, prata, cobre e coral
- 21 paus e 7 ervas sagradas de Eleguá
Este Exu tem uma forte conexão com o mundo dos espíritos, os segredos da percussão ritual e as revelações que provêm do som ancestral. É protetor, mensageiro e vigilante dos portais abertos pelo tambor.

Apaixonada pela cultura Yorubá e Bantu. Minha jornada é dedicada à exploração da espiritualidade ancestral, mergulhando nas ricas tradições dos Orixás e na sabedoria que conecta nosso passado ao presente. O Templo Lukumi é meu espaço para compartilhar insights sobre mitologia, rituais e a influência contínua dessas tradições em nossa vida moderna.